| Histórico |
| Hospital - Institucional |
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O Hospital Beneficência Portuguesa, originalmente Sociedade Beneficente e Hospitalar da Colônia Portuguesa de Porto Alegre, também conhecida como Sociedade Portuguesa de Beneficência, é uma instituição hospitalar filantrópica localizada em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. OrigemApós a independência do Brasil os portugueses foram impedidos de criar novas Santas Casas e como forma de manter uma ligação da colônia lusa com o Brasil, tomaram a iniciativa de criar hospitais onde quer que existisse uma comunidade de seus descendentes. Em 1845, foi levada a idéia de fundar uma entidade filantrópica portuguesa em Porto Alegre ao Vice-Presidente da Província em exercício, o major Patrício José Correia da Câmara, que mostrou sua boa vontade apoiando a causa. Terminada a Guerra dos Farrapos, que hostilizou o Partido Restaurador, composto em grande parte por portugueses, e o projeto, envolvido em suspeitas e hesitações políticas, foi temporariamente abandonado. Em 1854, já reconciliados os espíritos lusitanos e brasileiros no Rio Grande do Sul, recebeu-se a notícia da morte da Rainha de Portugal, D. Maria II, irmã de D. Pedro II. Com o falecimento da Rainha, houve intensa comoção na cidade, onde foram organizadas diversas solenidades para homenagear a soberana. Neste clima emocional, a imprensa começou a instigar a colônia portuguesa para que se criasse aqui, a exemplo de outros locais, uma entidade assistencialista própria. Assim, em 26 de fevereiro, alguns súditos lusos reuniram-se, liderados pelo vice-cônsul honorário de Portugal, Antonio Maria do Amaral Ribeiro, em uma sala da Santa Casa de Misericória, e ali fundaram a Sociedade Beneficente, posta sob a proteção de El-Rei D. Fernando de Portugal. No fim do primeiro ano de existência já estavam associadas 557 pessoas, com um fundo de 5:920$680 réis. Inicialmente, a Sociedade não dispunha de sede própria, e estabeleceu-se um contrato com a Santa Casa para atendimento de seus doentes. Com o crescimento do fundo dos associados, em 28 de maio de 1858 foi comprada uma casa na antiga Rua da Figueira, atual Rua Coronel Genuíno, e lá aconteceu a entrada do primeiro paciente português em 31 de janeiro de 1859. Em 1863, a casa foi reformada. Com o surto de cólera na cidade em 1867, quando diversos pacientes foram salvos no pequeno ambulatório original, houve a necessidade de uma sede maior para prestar melhor atendimento à comunidade em crescimento.
O PRÉDIOFoi conseguido um terreno no antigo Caminho da Aldeia, atual Avenida Independência, doado pelo Dr. Dionísio de Oliveira Silveiro e sua esposa, D. Maria Sofia da Silva Freire Silveiro. O projeto para o novo hospital ficou a cargo do engenheiro Frederico Heydtmann, e a fachada foi desenhada pelo litógrafo Inácio Weingärtner, sendo mestre de obras Antônio Francisco Pereira dos Santos. A pedra fundamental do novo edifício, que até hoje é um dos marcos arquitetônicos da capital, foi lançada em 29 de junho de 1867, e graças a diversas doações e à realização de leilões, recitais e outros eventos para arrecadação de recursos, as obras seguiram com celeridade até sua inauguração em 29 de junho de 1870, que ocorreu em meio a grandes festejos. No início de 1871, ficou pronta a primeira capela, no interior do prédio, sendo instalado seu primeiro capelão, o Padre Joaquim Cirilo da Cunha, em 12 de fevereiro. Em 29 de junho de 1872, foi entronizado o Padroeiro, São Pedro, cuja imagem foi doada por José Fernandes Granja. O prédio histórico é constituído de dois pavimentos em disposição simétrica, com um corpo central em projeção e alas laterais que também se projetam à frente nas extremidades. A fachada, em estilo eclético com influência da arquitetura colonial portuguesa, se ergue sobre um pequeno embasamento, e uma escadaria leva à porta de entrada. As aberturas são todas em arco redondo, separadas por pilastras jônicas no primeiro piso e coríntias no segundo, onde são dotadas de sacadas em formato bombée com grades de ferro trabalhado, e arremate superior em edícula. Coroa o prédio uma platibanda com um frontão alinhado à entrada, onde um relevo mostra os escudos do Reino de Portugal e do Império do Brasil, encimados de uma coroa, mais o nome da instituição - BENEFICENCIA PORTUGUEZA - e a data 1868
EVOLUÇÃOApós sua mudança para a nova sede, a Beneficência Portuguesa ampliou ainda mais a sua presença na sociedade gaúcha. Em 1884, participou do movimento local de emancipação de escravos doando muitas cartas de alforria. Cresceu o número de atendimentos, de associados e o volume de seu patrimônio aumentou com doações em forma de imóveis, heranças, loterias especiais e outras fontes. Em 1892, foram feitas melhorias nas instalações, foram criadas novas salas para consultórios no térreo, farmácia e no andar superior o Salão Nobre foi reformado para abrir espaço para novos quartos. Em 1894, foi completamente aparelhada a sala de cirurgia, com equipo encomendado em Portugal ao custo de 2:500$000 réis. ATUALMENTEEm 1900, a Sociedade estava em ótimas condições com um grande patrimônio. Em 1907, foi adquirido terreno para criação de um cemitério de associados, junto ao Cemitério São Miguel e Almas, que foi consagrado em 24 de outubro de 1909. Neste mesmo ano foram reformadas as salas de cirurgia, os encanamentos de água e gás, e instalada a lavanderia. Em 1911, foi criada a enfermaria feminina e instalada a luz elétrica. Em 1915, foi levantada uma capela separada, no terreno de lado, sendo sagrada em 13 de fevereiro de 1916, por Dom João Becker, a qual foi novamente transferida em 1929 para os fundos do hospital Em primeiro de setembro de 1923 a administração interna do hospital foi entregue às irmãs da Divina Providência, reconhecidas por sua eficiência, sob a direção da Madre Egbertina, inaugurando uma nova fase no funcionamento da entidade. Em 1928 foi inaugurada uma nova ala, construída em terreno adquirido em 1925, nos fundos do hospital. Ali foram instalados o Gabinete de Radiologia, o Gabinete de Diatermia, um consultório e duas novas salas de operação. Em 1936 foi aberta outra dependência, na rua da Conceição, onde se estabeleceu a maternidade. Em 1937 foi adquirida uma extensa área de terra em Gravataí, com 130 ha de matos, pastagens e aguadas, no intuito de instalar-se uma granja que pudesse gerar fundos adicionais, e criar-se o Retiro da Velhice. Em 1950 foi criado um novo bloco, com 71 apartamentos e doze quartos, uma maternidade moderna, consultórios, novas salas de cirurgia e uma grande cozinha. Em 1951 a Beneficência Portuguesa participou como convidada no IV Congresso Sul-Americano de Neurocirurgia, que foi um marco na vida médica e científica na cidade, e a partir dali os seus serviços na área neurológica se tornaram reconhecidos em todo o Brasil e mesmo no exterior. Neste ano também recebeu um diploma de primeira colocada na preferência do público, e foi criada a Clínica Neurocirúrgica. No ano seguinte foram adquiridos novos terrenos e foi construído e inaugurado o Instituto de Radioterapia. Desde então o complexo tornou-se um dos hospitais mais importantes da cidade, tendo sido na década de 50 a maternidade mais procurada de Porto Alegre, e mais tarde ampliando sua abrangência e aprofundando-se nas especialidades de Neurologia e Neurocirurgia, atendendo expressiva parcela da população. Passou a receber também pacientes encaminhados dos hospitais Conceição e Clínicas, desafogando estes centros de saúde. Em 1996 seus estatutos foram reformulados de modo que a instituição se adequasse ao Sistema Único de Saúde (SUS), entrando na categoria de hospital filantrópico.
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